Calcado em uma base filosófica robusta e na prática de meditação, o Budismo é um caminho espiritual para fortalecer a mente que atrai, inclusive, não religiosos. Confira a entrevista do monge Gen Kelsang Drime ao SobreSentir
Há mais de vinte anos, o monge Gen Kelsang Drime, Professor Residente do Templo pela Paz Mundial (o Centro de Meditação Kadampa Brasil), em Cabreúva, no interior de São Paulo, se empenha em ajudar as pessoas a lidarem com as situações mais desafiadoras da vida de uma outra maneira.
Sua sabedoria está calcada nos ensinamentos de Buda, trazidos ao mundo contemporâneo pelo mestre de meditação Venerável Geshe Kelsang Gyatso Rinpoche, fundador e Guia Espiritual da Nova Tradição Kadampa – União Budista Kadampa Internacional, conhecida pela sigla NKT-IKBU.
Embora seja uma religião, a filosofia budista atrai simpatizantes oriundos de diversas crenças em busca de um estilo de vida calcado na paz mental, na bondade amorosa, na compaixão, na sabedoria e em uma presença mais profunda na vida.
“Eu sou um monge budista, mas também gosto de dizer que sou um professor de um método: a filosofia budista associada à meditação, que pode beneficiar qualquer pessoa”, disse Gen Drime em entrevista ao podcast SobreSentir.
Hoje o Budismo Kadampa Moderno é uma tradição presente em mais de 1.300 centros, filiais e templos espalhados pelo mundo. O templo brasileiro é conhecido como Templo pela Paz Mundial – não por menos: “manter-se em paz e beneficiar os outros” é uma das principais metas de um praticante budista Mahayana. É a partir disso que se chega à felicidade e é pela paz interior que, segundo Gen Drime, podemos alcançar a paz coletiva.

SobreSentir: Há uma dúvida frequente se o Budismo é uma religião ou uma filosofia de vida. O que você costuma responder às pessoas que fazem essa pergunta?
Gen Kelsang Drime: Eu costumo dizer que, talvez, nós mesmos ajudemos um pouco nessa confusão. Sim, somos uma religião. Temos uma conexão espiritual profunda com o ser iluminado que chamamos de Buda Shakyamuni. Mas, quando ouvimos a palavra “religião”, normalmente pensamos em algo marcado por dogmas ou por um certo misticismo. O Budismo incorpora uma filosofia muito clara, uma forma de compreender a vida, que é o que eu costumo compartilhar, associando à prática da meditação. Esse aspecto filosófico dos ensinamentos de Buda inclui ensinamentos sobre uma maneira serena, construtiva e positiva de lidar com qualquer situação, tanto nos momentos felizes quanto naqueles que nos desafiam. Essa é forma como lidamos com a prática interior na Nova Tradição Kadampa. Eu sou um monge budista, mas também gosto de dizer que sou um professor de um método: a filosofia budista associada à meditação, que pode beneficiar qualquer pessoa.
SobreSentir: O que é o “ ser” para Buda Shakyamuni?
Gen Kelsang Drime: A primeira mudança de perspectiva proposta pelo Budismo é compreender que a vida humana é preciosa, valorosa e rara. Quando refletimos profundamente sobre todas as condições que possuímos como seres humanos, percebemos que temos a capacidade de reconhecer virtudes naturais, como o amor, a compaixão, a paciência e a sabedoria. Temos a oportunidade de desenvolver essas qualidades, fortalecendo os estados mentais positivos por meio da filosofia budista associada à meditação. Ao mesmo tempo, também temos a rara oportunidade de olhar com coragem para nossas limitações: a raiva, o orgulho, a inveja, o apego (o desejo descontrolado). Se quisermos, podemos aprender a reconhecer essas mentes, reduzi-las e abandoná-las. Por isso, diria que o ser humano, na perspectiva budista, possui um privilégio extraordinário: o de mergulhar numa jornada de autoconhecimento e aperfeiçoamento – até onde desejar.
SobreSentir: Como podemos nos aperfeiçoar em nossas virtudes e reduzir as mentes negativas?
Gen Kelsang Drime: Por meio dos ensinamentos associados à meditação, é possível simplesmente melhorar a qualidade de vida, aprendendo a lidar de forma mais positiva com as situações cotidianas. Também é possível alcançar estados mentais de profunda paz, aquilo que chamamos de libertação permanente do sofrimento. E, para quem se dedica intensamente a esse treinamento, integrando-o ao próprio estilo de vida, existe até a possibilidade de alcançar aquilo que chamamos de iluminação: uma excelência mental baseada na alegria suprema. Por isso, para nós, não existe nada mais precioso, mais valioso e mais raro do que a vida humana. Sempre digo que cada pessoa que encontro é como alguém que ganhou sozinho na loteria. Todos possuem um potencial extraordinário. Só precisam decidir realizá-lo.
” Sempre digo que cada pessoa que encontro é como alguém que ganhou sozinha na loteria. Todos possuem um potencial extraordinário. Só precisam decidir realizá-lo” .
SobreSentir: Você falou de estados mentais positivos, de compaixão e de paz. Mas o sofrimento está na base dos primeiros ensinamentos de Buda Shakyamuni, conhecidos como as Quatro Nobres Verdades. Qual é o papel do sofrimento na filosofia budista? E por que é tão importante compreender que ele faz parte da nossa existência?
Gen Kelsang Drime: Talvez eu só faça um pequeno ajuste nessa afirmação. Eu não diria que a vida é sofrimento. Prefiro dizer que o sofrimento faz parte da vida de uma mente que ainda não foi treinada. O principal livro do Venerável Geshe Kelsang Gyatso Rinpoche chama-se “Budismo Moderno — O Caminho da Compaixão e da Sabedoria”. Lá, ele escreve que não existe compaixão verdadeira nem aquilo que chamamos de renúncia (o desejo sincero de se libertar do sofrimento), sem antes reconhecer que o sofrimento existe. Mas existe uma diferença importante entre perceber o sofrimento e ter sofrimento. Quando algo me incomoda ou desperta uma sensação desagradável – aquilo que tradicionalmente chamamos de sofrimento – devemos encarar como um lembrete de que eu preciso desenvolver a minha mente. Gosto de explicar isso com uma metáfora: imagine uma pessoa sedentária, sem qualquer preparo físico. Para ela, carregar quinze quilos pode ser extremamente sofrido. Mas os quinze quilos não são, em si, sofrimento. Eles apenas são percebidos como sofrimento por alguém que ainda não desenvolveu força suficiente para carregá-los. Agora imagine que essa pessoa sabe que, ao longo da vida, precisará carregar esses quinze quilos. O que ela faz? Treina. Fortalece a musculatura. Depois de algum tempo, aqueles mesmos quinze quilos deixam de representar sofrimento. Podem, inclusive, tornar-se uma oportunidade de desenvolver ainda mais os músculos.
“Existe uma diferença importante entre perceber o sofrimento e ter sofrimento. Quando algo me incomoda ou desperta uma sensação desagradável – aquilo que tradicionalmente chamamos de sofrimento – devemos encarar como um lembrete de que eu preciso desenvolver a minha mente.”
SobreSentir: No caso, precisamos preparar a nossa mente?
Gen Kelsang Drime: Sim. Nós compreendemos isso facilmente quando falamos do corpo. Ninguém corre uma maratona de um dia para o outro. Ninguém levanta grandes pesos sem treinamento. Tudo exige prática. O mesmo acontece com a mente. Os acontecimentos desafiadores da vida são como esses pesos. Para uma mente destreinada, parecem insuportáveis. Quando Buda fala dos verdadeiros sofrimentos, ele não está dizendo que a vida, em si, é sofrimento. Ele está mostrando que, para uma mente que ainda não se fortaleceu, os acontecimentos dolorosos aparecem como verdadeiros sofrimentos.
“Quando Buda fala dos verdadeiros sofrimentos, ele não está dizendo que a vida, em si, é sofrimento. Ele está mostrando que, para uma mente que ainda não se fortaleceu, os acontecimentos dolorosos aparecem como verdadeiros sofrimentos.”
SobreSentir: Quais seriam esses verdadeiros sofrimentos mencionados por Buda?
Gen Kelsang Drime: O próprio nascimento, o envelhecimento, a doença e a morte. Por melhor que seja a nossa vida, todos passaremos por essas experiências. Segundo a perspectiva budista, esse ciclo se repete incontáveis vezes, até que a mente alcance verdadeira liberdade. Se nada fizermos para treiná-la, é inevitável que essas experiências sejam vivenciadas como sofrimento. Uma mente destreinada dificilmente consegue olhar para uma doença como oportunidade. Ou para o envelhecimento. Ou para situações muito comuns da vida: desejos frustrados, contrariedades, perdas, separações, a morte de pessoas queridas. Sob essa perspectiva, concordo que a vida pode parecer um mar de sofrimentos. Mas, para alguém que encontrou um método para desenvolver a mente por meio da meditação, a vida passa a ser um mar de oportunidades. Existem desafios? Sem dúvida. Mas também existe beleza. Existe rotina. Existe alegria. O importante é não se distrair.
“Uma mente destreinada dificilmente consegue olhar para uma doença como oportunidade. Ou para o envelhecimento. Ou para situações muito comuns da vida: desejos frustrados, contrariedades, perdas, separações, a morte de pessoas queridas.”
SobreSentir: Reconhecer o sofrimento faz parte do caminho. Mas tenho a impressão de que vivemos hoje uma espécie de positividade tóxica. Você percebe isso nas pessoas que chegam até você?
Gen Kelsang Drime: Acho muito interessante essa expressão “positividade tóxica”. Talvez eu a substituísse por “positividade artificial”. Vivemos numa cultura em que tudo precisa parecer bonito e funcionar perfeitamente. As pessoas acreditam que serão felizes quando forem bonitas, quando tiverem dinheiro, quando tiverem o corpo ideal, quando adquirirem determinados bens, quando estiverem viajando. É uma felicidade construída quase exclusivamente sobre condições exteriores. E, de fato, precisamos reconhecer que esse tipo de felicidade realmente funciona. Mas funciona apenas temporariamente. Por isso não gosto muito da palavra “tóxica”. Prefiro chamá-la de uma felicidade enganosa. Ela depende de circunstâncias externas favoráveis. É claro que eu desejo sinceramente que essas boas condições continuem acontecendo para todas as pessoas. O problema é quando elas nos distraem do trabalho interior. Enquanto tudo está bem, aprendemos, equivocadamente, que felicidade significa possuir essas condições. Vamos desfrutando delas e deixamos de fortalecer a mente. É como se alguém colocasse todos os pesos da nossa vida dentro de um carrinho de supermercado. Enquanto as rodas funcionam, tudo parece fácil. Mas chega um momento em que o carrinho quebra. Então somos obrigados a carregar aqueles mesmos pesos com os próprios braços. Só que nunca fizemos musculação. É exatamente aí que começa o sofrimento. Ou, em alguns casos, torna-se praticamente impossível seguir em frente. O Budismo Kadampa não ensina ninguém a fugir dos prazeres da vida. Não existe problema algum em ser bonito, bem-cuidado, ter recursos, uma família amorosa ou sucesso profissional. O ponto central é outro. Enquanto você vive tudo isso, permanece consciente de que essas condições são temporárias? O que está fazendo para fortalecer a sua mente? Porque elas vão passar. Todas elas. E é justamente nesse momento que descobrimos quanto investimos — ou deixamos de investir — na nossa riqueza interior.
“Acho muito interessante essa expressão ‘ positividade tóxica’. Prefiro chamá-la de uma felicidade enganosa. Ela depende de circunstâncias externas favoráveis. Não existe problema algum em ser bonito, bem-cuidado, ter recursos, uma família amorosa ou sucesso profissional. O ponto central é outro. Enquanto você vive tudo isso, permanece consciente de que essas condições são temporárias? O que está fazendo para fortalecer a sua mente?”
SobreSentir: Você falou sobre a impermanência, que é um conceito muito importante para o Budismo. Como podemos compreender, de forma construtiva, esse conceito de que as coisas passam?
Gen Kelsang Drime: Acho bem interessante e saudável falar sobre isso. Nada permanece como é, nem por um segundo sequer. As coisas mudam momento a momento. Então você pode perguntar: “Por que não percebemos isso?” Porque, de certa forma, nos alienamos dessa realidade. No fundo, só não vivenciamos isso com mais clareza porque não paramos para pensar. A impermanência é uma realidade. Quando passamos muito tempo sem encontrar alguém, reconhecemos características daquela pessoa que conhecíamos, mas percebemos também diferenças. Elas podem ser melhores, piores ou simplesmente diferentes. Fazia algum tempo que não nos víamos. Você continua sendo a mesma Roberta, e talvez esteja pensando: “É o mesmo Gen Drime”. Mas nós sabemos que alguma coisa mudou. Não apenas do ponto de vista da idade ou da aparência. Estamos mais maduros… Simplesmente diferentes.
SobreSentir: Talvez seja tão difícil nos aprofundar neste pensamento de que nada permanece como é por conta da morte.
Gen Kelsang Drime: Muitas pessoas acreditam que falar sobre a morte a atrai. Mesmo pessoas muito espiritualizadas. Há uma conhecida, especificamente, extremamente positiva, generosa, carinhosa e espiritualizada. Mas basta falar sobre morte que ela imediatamente bate na madeira, como se isso pudesse protegê-la da morte — seja da própria mortalidade, seja da perda de alguém querido. Para mim, esse som da madeira representa a nossa ignorância. Na minha compreensão, a morte é um fato da vida como qualquer outro. Falar sobre a morte é como falar sobre sexo, trabalho, caridade ou desenvolvimento interior. A morte faz parte da vida. Infelizmente, só lidamos tão mal com ela porque a excluímos da nossa consciência. E ela é apenas uma impermanência mais densa, mais evidente. Porque, no fundo, todos nós morremos momento a momento. Para isso não parecer abstrato, vou usar você como exemplo. Essa Roberta que está diante de mim, um dia foi a adolescente Roberta, que literalmente deixou de existir. Há muitas coisas de que ela gostava e que hoje já não fazem mais parte da sua vida. E, antes da adolescente, existiram a Robertinha e a bebê Roberta. Cada cessação dessas diferentes Robertas tornou possível o surgimento da Roberta de hoje. Se essas versões anteriores não tivessem cessado, esta mulher, com toda a sua bagagem, maturidade e desenvoltura, não existiria. E, para que um dia surja a vovó Roberta, esta Roberta também precisará cessar. Ao longo da vida, experimentamos muitas mortes, no sentido de transformações profundas de quem fomos.
“Ao longo da vida, experimentamos muitas mortes, no sentido de transformações profundas de quem fomos.”
SobreSentir: O que fez você se apaixonar pelo Budismo e pensar: “Esse é o caminho que eu quero abraçar?”
Gen Kelsang Drime: Meu nome, Kelsang Drime, tem dois significados. Kelsang é uma palavra tibetana que significa “afortunado”, e é exatamente assim que sempre me senti. Graças à minha mãe, cresci com a consciência da importância de um caminho espiritual. Há vinte anos, em 2005, eu tinha um amigo Kadampa que estava passando por um momento pessoal difícil. Ele me convidou para assistir a uma aula com meditação, em São Paulo, onde eu morava naquela época. Hoje gosto de brincar dizendo que ele foi o “gancho de compaixão” do Venerável Geshe-la comigo. Inicialmente, fui por ele. Depois, passei a ir principalmente pela meditação. Comecei a perceber que a forma como a meditação era praticada na Nova Tradição Kadampa estava desenvolvendo em mim uma espécie de musculatura mental. Depois de algum tempo meditando, notei que o trânsito de São Paulo já não me incomodava tanto. Algumas situações de trabalho deixaram de parecer tão problemáticas. Coisas do dia a dia, na rua, em restaurantes e em tantos outros lugares, também deixaram de ter o peso que antes tinham para mim. Percebi claramente esse fortalecimento da mente por meio da prática da meditação. Essa foi a primeira coisa que levei realmente a sério. Como eu já tinha a minha religião, minha prática dentro do Budismo Kadampa era, inicialmente, apenas a meditação.
“Comecei a perceber que a forma como a meditação era praticada na Nova Tradição Kadampa estava desenvolvendo em mim uma espécie de musculatura mental. Depois de algum tempo meditando, notei que o trânsito de São Paulo já não me incomodava tanto. Algumas situações de trabalho deixaram de parecer tão problemáticas. Coisas do dia a dia, na rua, em restaurantes e em tantos outros lugares, também deixaram de ter o peso que antes tinham para mim.”
SobreSentir: Da meditação em diante, qual foi a sementinha que despertou em você o desejo de se tornar monge?
Gen Kelsang Drime: Com o tempo, frequentando as aulas, fui percebendo o quanto a filosofia budista e suas linhas de raciocínio, aplicadas aos acontecimentos cotidianos, davam ainda mais sentido às transformações que eu estava vivendo. Foi aí que comecei a me apaixonar por esse caminho. Em determinado momento, decidi assumir o Budismo Kadampa como meu caminho espiritual principalmente porque nessa tradição não fazemos distinção entre monges e leigos, homens e mulheres. E percebi que poderia ser um Professor Residente leigo e continuar levando a minha vida normalmente. Meu objetivo era, um dia, tornar-me Professor Residente, exatamente o que sou hoje, e beneficiar as pessoas. Ao perceber que o monge Kadampa é um monge inserido na sociedade, que não foge dos desafios, não vive isolado em um mosteiro, nem no alto de uma montanha, compreendi que a melhor forma de viver seria dedicar minha vida ao meu próprio desenvolvimento espiritual enquanto ajudava outras pessoas nesse mesmo caminho. Isso passou a ser, para mim, a coisa mais prazerosa que eu poderia fazer. Hoje tenho absoluta convicção de que quero seguir assim até o fim da vida: continuar me aprimorando e beneficiando os outros. Porque isso é profundamente prazeroso.
SobreSentir: O homem leigo precisa “morrer” para nascer o monge?
Gen Kelsang Drime: (risos) Não precisa ser tão dramático. Mas você captou a ideia. A transição do homem leigo para o monge é, de fato, uma ruptura profunda, que é precedida por toda uma preparação. Ninguém dorme leigo e acorda monge no dia seguinte. Na cerimônia de ordenação, você recebe uma inspiração para se tornar o monge que escolheu ser. Então posso dizer que venho me tornando o monge Gen Drime há dezoito anos. A cada ano surge uma nova versão. É muito bonito perceber isso. Você continua sendo o mesmo ser humano, com uma mente completamente diferente. Isso não aconteceu simplesmente porque me tornei monge, mas porque, acima de tudo, eu me tornei um praticante do Budismo Kadampa e da meditação. Foi essa prática que transformou profundamente a minha mente. Hoje enxergo o mundo através da lucidez, da compaixão e da sabedoria do Venerável Geshe-la, como carinhosamente chamo meu professor. Essa visão me permite olhar para qualquer situação de forma equilibrada. Não indiferente, não neutra. Mas procurando sempre descobrir o que há de útil em cada circunstância — nas boas, nas neutras e até na rotina. E, quando surgem situações difíceis, muitas vezes extremamente dolorosas, costumo dizer à pessoa: “Obrigado pela oportunidade de estar ao seu lado neste momento.” Mesmo me sensibilizando profundamente com a dor daquela pessoa, mesmo compreendendo o sofrimento dela, ainda assim, sinto uma enorme alegria por poder aparecer na vida dessas pessoas como alguém que oferece uma perspectiva de solução. Isso só é possível porque aquele homem leigo, egoísta e autocentrado do passado foi, aos poucos, se transformando em alguém com um olhar muito mais sensível para os outros. Ao mesmo tempo, com muito mais força interior, uma força que nasce da compaixão. A meditação me fez desenvolver não apenas a compreensão, mas também a capacidade de estar ao lado das pessoas nos momentos mais difíceis. Talvez, entre todas as minhas “mortes”, ou melhor dizendo, entre todas as minhas transformações profundas, essa seja a que mais me encanta. Ser capaz de olhar para o sofrimento, inclusive o meu próprio sofrimento, e fazer dele combustível para continuar crescendo.
“Talvez, entre todas as minhas ‘mortes’, ou melhor dizendo, entre todas as minhas transformações profundas, essa seja a que mais me encanta. Ser capaz de olhar para o sofrimento, inclusive o meu próprio sofrimento, e fazer dele combustível para continuar crescendo.”
SobreSentir: Nada como um bom exemplo. É possível então reduzir nosso sofrimento, mesmo diante de tantas adversidades?
Gen Kelsang Drime: Felizmente, esse sofrimento profundo quase nunca acontece comigo. Mas vejo um verdadeiro mar de dificuldades sendo vivido pelas pessoas. Seja por causa da situação internacional, da situação do nosso país, ou pelas mentes cada vez mais agitadas, descontroladas e raivosas de tantas pessoas com quem convivemos. E eu poder aparecer para elas trazendo uma perspectiva de solução… Isso é algo extraordinário. Porque me dá energia para trabalhar incansavelmente, e alegremente, pelas pessoas. Acredito que me tornei uma pessoa melhor e, seguramente, uma pessoa muito mais feliz.
SobreSentir – Como funciona a prática budista na tradição Kadampa?
Gen Kelsang Drime: Nós beneficiamos as pessoas, independentemente de qualquer religião, por meio das aulas introdutórias, com meditação, que compõem o que chamamos de Programa Geral. Isso acontece em todos os lugares onde existe um Centro de Meditação Kadampa. A cada encontro, o professor compartilha uma reflexão baseada nos ensinamentos budistas e, normalmente, começamos com uma meditação respiratória simples, que por si só é um ensinamento, porque ajuda a reduzir as distrações da mente. E encerramos o encontro com uma segunda meditação, agora relacionada ao assunto trabalhado. Para nós, existem duas etapas inseparáveis: compreender e Experienciar. Não basta acreditar dogmaticamente. É preciso compreender e depois transformar essa compreensão em experiência. Essa é justamente a função da meditação que chamamos de meditação no objeto virtuoso. Na nossa tradição, em hipótese alguma meditamos para esvaziar a mente. Nós treinamos a mente na direção em que desejamos desenvolvê-la.
SobreSentir: E, além dessas aulas introdutórias, existem programas mais avançados e também as preces?
Gen Kelsang Drime: Para nós tudo converge para o treinamento da mente por meio da meditação. A principal diferença entre o Programa Geral e o Programa Fundamental, que envolve estudo e meditação de forma contínua, é a regularidade da prática. É como no esporte. Se você joga bola de vez em quando, dificilmente se tornará atleta. Agora, se treina regularmente, uma ou duas vezes por semana, faz as leituras propostas e mantém uma prática consistente de meditação, naturalmente suas realizações serão mais profundas. Não porque o conteúdo seja melhor. Mas porque você se dedica mais. Depois, se desejar aprofundar ainda mais esse caminho, existe o Programa de Formação de Professores. Além disso, temos as nossas preces, gratuitas, que também funcionam como meditações guiadas. À primeira vista, podem parecer apenas práticas religiosas e devocionais, mas, à medida que vai aprendendo, percebe que cada prece é, na verdade, uma sequência de estados mentais cuidadosamente organizada para produzir determinadas realizações interiores. Um exemplo é a prece Joia do Coração, que praticamos diariamente e que tem o objetivo de desenvolver compaixão, sabedoria e poder espiritual, entendido como a capacidade de impedir que as aflições mentais dominem a nossa mente. Embora externamente pareça apenas uma oração, internamente estamos treinando uma sequência de estados mentais que fortalece exatamente essas qualidades. Por isso, você faz a prece como faria uma oração em qualquer outra tradição religiosa. Mas o resultado vai muito além.
SobreSentir: E, na tradição Kadampa, essas preces são em português?
Gen Kelsang Drime: São sempre na língua de cada país. Aqui, em português. E isso ajuda muito, porque você entende exatamente o que está dizendo. Não está apenas repetindo palavras. Você sabe o significado daquilo que está recitando.
SobreSentir: Para quem deseja começar a meditar, a meditação respiratória é um bom começo?
Gen Kelsang Drime: Muitas vezes essa é a primeira prática de meditação de uma pessoa durante bastante tempo. A prática consiste simplesmente em concentrar-se, com uma boa motivação, na sensação do ar entrando e saindo pelas narinas. É importante entender uma coisa: reduzir as distrações não significa esvaziar a mente. Significa desenvolver a capacidade de concentração sobre um objeto neutro, nesse caso, a respiração. À medida que você aprende a manter a atenção nesse objeto neutro, sua mente também se torna mais neutra. Alguém pode perguntar: “Mas não é melhor ser positivo? Ter amor, compaixão e sabedoria?” Claro que sim. Mas uma mente neutra já é infinitamente melhor do que uma mente negativa. Por isso, costumo dizer que a meditação respiratória, ou meditação “Paz interior”, é uma ferramenta extremamente poderosa. Para muitas pessoas, talvez seja a única prática necessária durante muito tempo, especialmente para quem não pretende seguir um caminho espiritual mais profundo. Ao invés de se irritar, medite. Ao invés de alimentar uma ansiedade intensa, medite. Ao invés de se preocupar excessivamente, medite. Mas faço sempre um alerta: essa é uma prática diária, que deve ser feita principalmente quando estamos bem. Porque, quando surgirem os momentos difíceis que nos geram irritação, ansiedade ou preocupação, nós já teremos desenvolvido o hábito de recorrer à meditação para reduzir as distrações e as agitações mentais.
“Costumo dizer que a meditação respiratória, ou meditação “Paz interior”, é uma ferramenta extremamente poderosa. Para muitas pessoas, talvez seja a única prática necessária durante muito tempo, especialmente para quem não pretende seguir um caminho espiritual mais profundo.”
SobreSentir: Hoje você é Professor Residente no Templo pela Paz Mundial, que fica em Cabreúva, interior de São Paulo – um lugar belíssimo e também turístico. Lá você recebe pessoas que talvez nunca tenham tido nenhum contato com o Budismo. O que as pessoas esperam de um centro/templo budista?
Gen Kelsang Drime: A grande maioria que vai a Cabreúva tem ali o primeiro contato com o budismo. Nos centros urbanos, por estarem inseridos na sociedade, as pessoas costumam voltar. Assim, podemos desenvolver um programa espiritual mais orientado e aí gosto de trabalhar com um tema a ser desenvolvido ao longo do mês. No Templo pela Paz Mundial (em Cabreúva) isso também acontece, mas em uma escala muito menor, porque ele fica no interior e é, prioritariamente, um ponto turístico. As pessoas não vão necessariamente em busca de acolhimento espiritual. Elas vão passear e acabam descobrindo abrigo espiritual. Descobrem, de uma maneira muito coloquial, leve, mas também profunda e tocante, que podemos refletir espiritualmente, sem fanatismo religioso.

SobreSentir: Quais são as questões mais comuns que você recebe?
Gen Kelsang Drime: As perguntas mais comuns são: “Estou passando por uma separação. Passei por uma perda. Estou ansioso por causa de uma situação de trabalho. Estou com raiva de uma situação ou de determinada pessoa. Como lido com isso?” No fundo, acho que já demos a resposta ao longo da nossa conversa: parar, respirar, baixar a bola e fazer a si mesmo esta pergunta: “Como posso lidar com essa situação de uma perspectiva construtiva?” Com o tempo, aprendemos a colocar essa pergunta em prática, porque tudo pode ser visto de outra maneira. Tudo tem uma outra perspectiva. Para não deixar isso muito etéreo, gostaria de contar o exemplo de uma aula que dei na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Havia uma pessoa que frequentava as aulas com alguma regularidade. Não era exatamente um praticante e nem sequer era budista. Era um empresário que, depois de uma aula, decidiu assumir o compromisso, consigo mesmo, de não brigar com ninguém no dia seguinte. Na semana seguinte, ele compartilhou a história. Não estou falando de um praticante de meditação. Estou falando de uma pessoa que decidiu viver um único dia de sua vida a partir de uma perspectiva diferente.
“‘Como posso lidar com essa situação de uma perspectiva construtiva?’ Com o tempo, aprendemos a colocar essa pergunta em prática, porque tudo pode ser visto de outra maneira. Tudo tem uma outra perspectiva.”
SobreSentir: Estou curiosa. Como ele se saiu?
Gen Kelsang Drime: No dia seguinte, estava em seu escritório quando alguém bateu à porta e disse: “aquele funcionário que você suspendeu ontem está aí e está querendo briga.” Ao contar a história, ele descrevia os próprios pensamentos: “isso realmente é inviável. Isso só funciona para praticantes budistas. Esquece a promessa.” Depois decidiu: “Diz que eu não estou disponível.” Mas percebeu que isso também não seria adequado, porque seria uma mentira. Então pensou: “Quer saber? Vou experimentar isso de uma perspectiva positiva.” Então pediu que o funcionário entrasse, olhou para ele com uma mente muito serena e disse: “Fulano, você sabe que eu, como empresário, preciso cuidar para que os processos da empresa funcionem. Você realmente pisou na bola e recebeu um dia de suspensão. Minha recomendação é que você cumpra esse dia e, depois, a vida continua. Nós aprendemos a lidar com as coisas que acontecem.” Segundo ele, o funcionário olhou para ele completamente desarmado e respondeu: “Está bem. Então, até amanhã.” E foi embora. O empresário ficou impressionado, porque não precisou bater o braço na mesa, não precisou brigar com o funcionário e não precisou demiti-lo.
SobreSentir: Mais simples do que parece.
Gen Kelsang Drime: Era apenas uma questão de parar e explicar. E acho que é isso. Quando temos uma boa motivação e muita segurança sobre aquilo que estamos fazendo, quando agimos realmente com compaixão pelo outro, com sabedoria e tentando encontrar uma solução positiva para um conflito, isso se reflete na nossa voz, na nossa gesticulação e na maneira como interagimos com as pessoas. E, se existe alguma chance de um conflito melhorar ou terminar de uma forma mais positiva, ela nasce dessa postura. Não apenas pelo que você fala, mas pelo sentimento com que você fala, pelo sentimento com que age e pela intenção que tem ao assumir uma postura diferente. Quando isso aparece como fruto do seu treino, os resultados são inquestionáveis. Você pode enxergar uma situação como um conflito ou pode enxergá-la como uma oportunidade para praticar, por exemplo.

SobreSentir: Por que no Budismo, quando se fala em mente, aponta-se para o coração?
Gen Kelsang Drime: Muitas pessoas apontam para a cabeça quando falam da mente. Para nós, na cabeça está o cérebro. Talvez eu precise entrar um pouquinho em teoria. Qualquer lugar onde exista percepção, existe mente. Consciência visual é mente. Consciência auditiva é mente. Consciência tátil é mente. Os conceitos que formulamos na cabeça também são mente. Mas, quando falamos da mente tranquila, de uma mente em paz, estamos falando do nosso coração espiritual, estamos nos referindo ao que chamamos de mente-raiz, a fonte das nossas experiências. Não é o coração físico. É algo imaterial que percebemos na região do coração. A atividade intelectual acontece aqui, no cérebro. Mas a transformação de que falamos acontece aqui, na altura do coração. É aqui que sentimos a paz. É aqui que sentimos o peso quando estamos angustiados. É aqui que sentimos o fogo da raiva. É esse coração espiritual que treinamos na meditação.
SobreSentir: Você falou da raiva. Como podemos nos libertar dela?
Gen Kelsang Drime: Bom… você tem mais uma hora e meia? (risos) Mas, para não deixar a pergunta sem resposta, gostaria de recomendar um livro: “Como Solucionar Nossos Problemas Humanos” de Venerável Geshe Kelsang Gyatso Rinpoche, fundador da Nova Tradição Kadampa e nosso Guia Espiritual. Ele apresenta, em quatro capítulos, um verdadeiro passo a passo para compreender e superar a raiva. No primeiro capítulo, ele mostra as falhas da raiva. Mostra que a nossa raiva é o nosso verdadeiro problema. Enquanto permitirmos que ela conduza os nossos pensamentos, palavras e ações, continuaremos produzindo sofrimento para nós e para os outros. Depois surge naturalmente a pergunta: “Como começo a identificar isso?” O segundo capítulo responde justamente a essa questão: Por que sentimos raiva? Ele mostra que a raiva é, em grande parte, um hábito. Uma resposta automática às circunstâncias desagradáveis. É muito interessante perceber isso. Nesse aspecto, reagimos quase como os animais. Acontece algo desagradável, por exemplo, bater o dedo do pé num móvel e sentir uma dor intensa. A resposta automática costuma ser xingar, perder a paciência ou descontar nos outros. Mas podemos reagir de outra forma. Podemos pensar: “O que posso fazer para que esse móvel não machuque mais ninguém?” É justamente aí que entra a diferença. As situações desagradáveis continuarão acontecendo. As agradáveis também, assim como as neutras. O desconforto continuará surgindo. Mas nós podemos treinar a nossa resposta. Como seres humanos, podemos aprender a responder com serenidade, equilíbrio e paciência. Aprendemos isso desenvolvendo a paciência de aceitar aquilo que já aconteceu e, principalmente, a paciência de não retaliar. Quando alguém age com agressividade, falta de educação ou maldade, essa pessoa já tem um problema. O nosso desafio é lidar com esse comportamento de maneira construtiva. Sem permissividade, sem passividade. Mas também sem perder o equilíbrio interior. No fim, trata-se de uma decisão. Decidir, treinar, ler, refletir e meditar. E mudar de hábito, se quisermos.

SobreSentir: Assim como falamos sobre a raiva, também falamos de serenidade e paz. No Budismo, serenidade, paz e felicidade caminham juntas. O que é felicidade para o Budismo?
Gen Kelsang Drime: O Venerável Geshe-la diz algo muito simples: sofrimento são sentimentos desagradáveis. Felicidade são sentimentos agradáveis. Quando as pessoas ouvem isso, costumam perguntar: “É só isso?” Sim. É só isso (risos). Mas existe uma reflexão belíssima na introdução do livro “Novo Manual de Meditação”, onde ele explica magistralmente a relação entre meditação, paz interior e felicidade. Ali ele mostra que as condições exteriores só conseguem nos fazer felizes quando a nossa mente está em paz. Ou seja, a causa substancial da felicidade não são as circunstâncias externas, como normalmente imaginamos. É a nossa capacidade de permanecer serenos. Ele dá um exemplo muito simples. Você está numa festa maravilhosa, tudo agradável. De repente, chega alguém de quem você não gosta e você sente como se aquela pessoa tivesse acabado com a festa. Mas não foi ela que acabou com a sua felicidade. Foi a agitação da sua própria mente. Como carioca, gosto de outro exemplo. Imagine um dia perfeito na praia. Sol agradável, água na temperatura certa, mar bonito, tudo perfeito. Você pensa: “Que praia maravilhosa.” Parece que toda aquela paisagem é a causa da sua felicidade. Até que alguém passa e diz: “Nossa… você engordou, né?” Pronto. Acabou a praia, não existe mais sol, mar, areia, nem água morna. Você sente que perdeu toda a felicidade. Mas, se aquelas condições externas fossem realmente a causa da felicidade, esse comentário não teria força para destruí-la. A verdade é que ficamos bem quando a mente está em paz. Sem paz interior, nenhuma condição externa é suficientemente forte para produzir felicidade.
“A verdade é que ficamos bem quando a mente está em paz. Sem paz interior, nenhuma condição externa é suficientemente forte para produzir felicidade.”
SobreSentir: Por isso vemos casos de pessoas que desfrutam de excelentes condições exteriores e ainda assim não se sentem felizes, né?
Gen Kelsang Drime: Penso muito no exemplo do ator Robin Williams, famoso, bem-sucedido, querido por tantas pessoas. Mesmo assim tirou a própria vida. Por quê? Porque lhe faltava paz. Seja por questões relacionadas à saúde mental ou por qualquer outro motivo. Ninguém com uma mente verdadeiramente em paz chega a esse ponto.
Por isso dizemos que a paz interior é a causa substancial da felicidade. Quando estamos em paz, também enfrentamos as dificuldades de outra maneira. Conheci muitas pessoas que passaram pelo câncer. Algumas sobreviveram, outras não. Mas muitas delas enfrentaram a doença com serenidade. Elas não diziam: “Que bom que tive câncer.” Diziam: “Aprendi com o câncer.” “Cresci com o câncer.” “Tornei-me um ser humano melhor por causa dessa experiência.” Lembro especialmente de um praticante chamado Marrocos, que, infelizmente, morreu em consequência da doença. Mas não perdeu a paz. Sua filha, que nem era budista, estava ao lado dele naquele momento, resumiu tudo numa frase que nunca esqueci: “Ele morreu em paz. E em paz eu fiquei.” Para mim, não existe ensinamento maior do que esse. Ensinar, no último suspiro, o valor da paz interior.
SobreSentir: Que lindo. Acho que encerramos com chave de ouro. Antes de encerrarmos, gostaria de deixar uma última mensagem para quem nos acompanha?
Gen Kelsang Drime: Talvez eu deixe justamente a mensagem que mais gosto de repetir no Templo pela Paz Mundial, em Cabreúva, São Paulo. Todos nós queremos um mundo melhor, com mais paz. Não tenho a menor dúvida disso. Mas precisamos compreender que um mundo melhor depende diretamente da nossa capacidade de cultivar paz dentro de nós.
Quando entendemos isso, naturalmente buscamos nos fortalecer, por exemplo, por meio da prática regular da meditação, desenvolvendo uma mente mais equilibrada, capaz de permanecer serena mesmo diante das adversidades. E, assim, passamos a beneficiar também as outras pessoas. Acredito sinceramente que essa é a única maneira de construirmos, juntos, um mundo com mais paz. Esse é o meu convite. E, mais do que isso, o meu pedido.
“Se existe alguma chance de um conflito melhorar ou terminar de uma forma mais positiva, ela nasce dessa postura. Não apenas pelo que você fala, mas pelo sentimento com que você fala, pelo sentimento com que age e pela intenção que tem ao assumir uma postura diferente. Quando isso aparece como fruto do seu treino, os resultados são inquestionáveis. Você pode enxergar uma situação como um conflito ou pode enxergá-la como uma oportunidade para praticar, por exemplo.”




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